
Ednaldo Rodrigues terá permanência na presidente da
CBF julgada pelo STF Crédito: Fabio Souza/CBF
Uma longa lista de processos fez o plenário do
Supremo Tribunal Federal (STF) adiar, nesta quarta-feira, para outro dia, sem
data definida, a permanência ou não de Ednaldo Rodrigues na presidência da
Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Os ministros iriam decidir se mantinham ou
derrubavam a liminar de Gilmar Mendes que reconduziu o dirigente ao comando da
entidade. Outro ponto que seria decidido é se é válida ou não a determinação do
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que ordenou o afastamento do
presidente, em 7 de dezembro de 2023. Caso a liminar fosse derrubada, seriam
convocadas novas eleições. Ednaldo pode cumprir o mandato até o fim de 2026.
COMO COMEÇOU A ATUAL CRISE NA CBF?
O caso começou quando uma ação do Ministério
Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu a anulação de assembleia geral
realizada pela CBF, em março de 2017, que alterou regras eleitorais internas.
Alegou-se, à época, que as modificações não teriam obedecido aos princípios da
transparência e da publicidade. Em julho de 2021, logo após o afastamento do
então presidente Rogério Caboclo por causa de denúncias de assédio sexual - das
quais o ex-mandatário foi inocentado pela Justiça -, foi determinado judicialmente
que toda a diretoria eleita com Caboclo em 2017, de vices aos demais cargos,
deveria ser destituída por ter sido escolhida sob as regras alteradas.
Em consequência, foram debatidas novas regras com
participação dos clubes e federações e realizadas novas eleições. Ednaldo,
então presidente da Federação Baiana, assumiu interinamente a presidência da
CBF. Antes de ser eleito oficialmente, Ednaldo assinou um (Termo de Ajustamento
de Conduta) entre o MP-RJ e a CBF, em março de 2022, para conferir estabilidade
em favor da entidade máxima do futebol. Algumas semanas depois, Ednaldo foi
eleito, sem nenhuma chapa concorrente. Em dezembro do ano passado, o TJ-RJ
julgou a legalidade do TAC e anulou assembleias da CBF e afastou Ednaldo
Rodrigues do cargo.
O problema que levou a destituição foi uma
reivindicação dos vice-presidentes do mandato de Caboclo, que defendem que o
acordo com o MP-RJ beneficiou Ednaldo, uma vez que ainda era interino quando
assinou o documento e foi eleito logo em seguida, sob as regras que ele mesmo
homologou. Também é apontado o fato de o acordo ter sido celebrado apenas entre
ele e um único promotor.
Após o afastamento de Ednaldo, a Justiça do Rio
nomeou o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), José
Perdiz de Jesus, como interventor na CBF e deu prazo de 30 dias úteis para a
convocação de novas eleições. Flávio Zveiter, ex-presidente do STJD, e Reinaldo
Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), lançaram
pré-candidaturas ao cargo. Porém, tanto a Conmebol quanto a Fifa não
reconheceram a legitimidade de Perdiz como presidente temporário da CBF.
COMO EDNALDO VOLTOU AO CARGO?
Ednaldo recorreu ao no Superior Tribunal de Justiça
(STJ) para reverter a situação, alegando que o seu afastamento coloca em risco
"a organização do futebol no País e toda a sua cadeia econômica", mas
teve pedido negado. O MP-RJ também foi ao STJ questionar a decisão do TJ-RJ,
mas o tribunal não aceitou a tese apresentada.
Foi então que o Partido Social Democrático (PSD)
entrou com uma liminar no STF pedindo a recondução de Ednaldo ao cargo sob o
argumento de que a decisão judicial do TJ-RJ "afronta as atribuições
constitucionais do Ministério Público e a autonomia das entidades de práticas
desportivas". Em 27 de dezembro, o pedido foi rejeitado pelo ministro
André Mendonça. Ele argumentou que "apesar da complexidade do caso, o
processo transcorreu por mais de seis anos sem a vigência de qualquer medida de
urgência".
O STF já havia sido acionado também pelo PCdoB,
autor de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) para tentar obter
medida cautelar contra uma decisão emitida pelo TJ-RJ. O partido alegou a
possibilidade de a seleção brasileira masculina de futebol ficar fora da
Olimpíada de Paris-2024 por não poder se inscrever no Pré-Olímpico a tempo por
causa do imbróglio. Em 4 de janeiro, Gilmar Mendes, ministro do STF, despachou
favoravelmente ao dirigente após a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a
Advocacia-Geral da União (AGU) publicarem pareceres favoráveis à suspensão da
decisão judicial que afastou Ednaldo do cargo. Foi, então, determinado o
retorno imediato de dirigente ao posto.
No parecer, o procurador-Geral da República, Paulo
Gonet Branco, defendeu a legitimidade do acordo entre CBF e o MP-RJ, assim como
da eleição de Ednaldo, mas apontou como risco principal "o fato de que a
confederação ser dirigida por interventor indicado pelo TJ-RJ, cujos atos de
gestão não são reconhecidos pela Fifa, conforme anunciado pela própria entidade
máxima do futebol mundial e divulgado na imprensa".
Por sua vez, a AGU também aborda que a intervenção
da Justiça do Rio na CBF e a nomeação de José Perdiz como interventor não são
"constitucionalmente adequadas e consentâneas com a autonomia desportiva
constitucionalmente assegurada". Tanto a AGU quanto a PGR também citaram à
época o risco de suspensão da seleção e times brasileiros de competições
realizadas pela Fifa e pela Conmebol como agravante.
O QUE ACONTECEU APÓS EDNALDO VOLTAR À PRESIDÊNCIA?
Menos de uma semana após ser reconduzido ao cargo, Ednaldo se reuniu com membros da Fifa e da Conmebol, que descartaram uma punição à CBF. O presidente também agiu rápido demitindo Fernando Diniz do comando interino da seleção brasileira e convidando Dorival Júnior, que estava no São Paulo, para assumir o Brasil em definitivo.
Por Correio24horas