
Operação Crédito: Divulgação
A entrega voluntária de animais silvestres e a fiscalização
de criadores irregulares resultaram no resgate de 82 aves silvestres neste
primeiro dia de atividades da 49ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada
(FPI) do São Francisco, que acontece em 10 municípios da região oeste da Bahia.
As ações foram realizadas pela equipe de Fauna, composta pelo Instituto do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), Polícia Rodoviária Federal (PRF),
Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia da Bahia (CREA-BA) e a ONG Animallia.
Durante as inspeções, um criador irregular foi apresentado na
Delegacia de Polícia Civil, pela posse ilegal de uma cartucheira calibre 36 e
por manter 26 aves silvestres em cativeiro de forma irregular.
As principais espécies encontradas foram Cardeal do Nordeste,
Sabiá, Canário-da-terra, Periquito da Caatinga, Papagaio, Azulão, Bigodinho e
Papa-capim.
Durante as incursões feitas, tanto na zona urbana quanto na
rural, os agentes averiguaram a situação dos criadores registrados no Sistema
para Gestão de Criadores de Passeriformes Silvestres Nativos do Estado da Bahia
(Sispass). “Os animais que eram mantidos em cativeiro de forma irregular e com
suspeitas de maus-tratos, assim que constatadas as irregularidades os criadores
foram autuados e os animais resgatados”, ressaltou o técnico do Inema e
coordenador de uma das equipes de Fauna da FPI, Frederico Coelho. Ele também
destacou um comportamento bastante positivo da população: “Notamos, nesta fase,
uma adesão significativa ao procedimento da entrega voluntária. As pessoas, ao
avistarem os veículos da operação, estão nos procurando para entregar as aves
que mantinham em suas residências”.
Em paralelo à fiscalização, também está sendo realizado um
trabalho de educação ambiental e sensibilização junto as comunidades. Segundo o
agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Marcus França, uma equipe está
empenhada para orientar a população com a realização, por exemplo, de palestras
nas escolas da região: “Os agentes ambientais e policiais estão percorrendo os
municípios para coibir as práticas ilegais e ao mesmo tempo exercer atividades
de cunho da educação ambiental. A fiscalização exige um trabalho minucioso,
desde o planejamento, com a definição de estratégias de abordagem, de inspeção
e atendimento às denúncias que possam ocorrer durante a FPI”.
Ainda de acordo com França, a equipe Fauna da FPI atua em
três frentes, com fiscalização em campo dos criadores amadores cadastrados no
SISPASS, verificando se estão atendendo aos requisitos estabelecidos nas
legislações estadual e federal, assim como aqueles animais em situação de
cativeiro ilegal, ou seja, sem as devidas autorizações e registros. “Estamos
preparados para analisar todas as condições, desde documentais até as de caça e
maus-tratos aos animais silvestres, de acordo com os artigos 29 e 32, respectivamente,
da Lei Federal 9.605/98”.
A retirada de animais silvestres, adultos ou filhotes, de
seus habitats naturais ocasiona uma redução significativa nas populações de
diversas espécies e no desempenho de seus papéis ecológicos na natureza, como
na dispersão de sementes, reprodução e predação natural de insetos e outros
animais, entre outros.
Um exemplo de amor e proteção
Dona Diva, moradora do povoado do Alecrim, município de
Paratinga, ao avistar a equipe da FPI fez questão de convidar a todos para
conhecer o quintal de sua casa e mostrar que a melhor forma de apreciar o canto
dos pássaros é com eles livres na natureza. “Aqui é tudo muito simples, mas tem
uma coisa que eu adoro fazer que é ouvir os passarinhos cantando soltos na
natureza, comendo as frutas direto nos pés de goiaba, pinha e manga. Os
bichinhos vivem mais feliz livres, voando pra todos os cantos, então nós temos
que trabalhar para nós e os outros também pensem assim”.
Proteção da Fauna Silvestre
Os animais resgatados, apreendidos e recebidos
voluntariamente, são encaminhados para uma base provisória do Centro de Triagem
de Animais Silvestres (CETAS), montada no Colégio Estadual Marechal Castelo
Branco, localizado na Rua Pedro Olimpio de Souza, no centro da cidade de
Ibotirama. O cidadão que deseja realizar a entrega voluntária de animais
silvestres deve se dirigir ao Cetas, das 09h às 12h e das 14h às 16h. É
importante ressaltar que, no ato da entrega voluntária, o responsável não será
multado nem responsabilizado criminalmente.
“Aqui na base os animais passam por um rigoroso processo de
triagem, uma avaliação com o intuito de verificar as condições de saúde e
recebem todo o tratamento necessário para recuperação e posterior soltura no
seu habitat natural. Os principais problemas verificados, neste primeiro dia,
estão relacionados ao manejo nutricional, que acaba por afetar o estado clínico
destes animais, outro avaliação feita é a comportamental, se apresentam
características de longo tempo em cativeiro”, explicou o veterinário da
Coordenação de Gestão de Fauna do Inema, Caio Vinicius.
Neste espaço, uma equipe multidisciplinar atua com dedicação
exclusiva para garantir o tratamento adequado, o bem-estar desses animais e as
condições necessárias para a soltura na natureza.
Andreza Amaral, bióloga da ONG Animallia e coordenadora da
equipe Base Fauna da FPI, explicou como ocorrem as atividades no Cetas montado
em Ibotirama. “Então, nós dividimos a equipe, uma parte dela fica na triagem
individual de cada animal, a gente pega na mão, avalia o score corporal, se tem
algum ferimento, se o comportamento dele está adequado para a soltura ou não e,
a partir daí, realizamos a manutenção da alimentação adequada, pois a maioria
deles vem subnutrido ou gordo demais, então fazemos o ajuste necessário na
alimentação para que eles possam ingressar nos programas de soltura adequados
em áreas regulares”, destacou.
Por Correio24horas