
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos
Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou,
na noite desta terça-feira (14), no Plenário, o Projeto de Lei Complementar
85/24 que suspende a dívida do Rio Grande do Sul por três anos e zera os juros
relativos ao endividamento durante esse período. O projeto, de autoria do Poder
Executivo, foi aprovado em caráter simbólico, e agora segue ao Senado, onde
pode ser votado já na seção desta quarta (15).
A suspensão da dívida do Rio Grande do Sul foi
anunciada nesta segunda (13), durante reunião no Palácio do
Planalto que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos
ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Casa Civil, Rui Costa, da
Comunicação, Paulo Pimenta, e da Gestão, Esther Dweck. Também estiveram
presentes do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), representantes do
STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), e de forma remota, o governador
gaúcho Eduardo Leite.
Durante o encontro, o ministro
Fernando Haddad explicou que a suspensão do pagamento da dívida do Rio Grande
do Sul com a União, presente no projeto aprovado nesta terça na Câmara, se dará
no período de 36 meses. Além disso, os juros que corrigem a dívida anualmente,
em torno de 4%, serão perdoados pelo mesmo período.
O estoque da dívida do Rio
Grande do Sul com a União atualmente está em cerca de R$ 100 bilhões. Com a
aprovação do projeto na Câmara e no Senado e a homologação da nova lei por meio
da sanção presidencial, o estado disporá de R$ 11 bilhões a serem utilizados em
ações de reconstrução após as chuvas e enchentes que assolaram centenas de
cidades gaúchas.
O Rio Grande do Sul é um dos
estados que participa de um regime de recuperação fiscal com a União, assinado
em 2022, e enfrenta efeitos devastadores das enchentes que atingem a região há
cerca de duas semanas. O projeto de lei complementar aprovado na Câmara, com
relatório do deputado Afonso Motta (PDT-RS), prevê que os recursos que o Rio
Grande do Sul deveria pagar à União sejam depositados em um fundo contábil com
aplicação exclusiva em ações de reconstrução da infraestrutura do estado.
De acordo com cálculos do
Ministério da Fazenda, o perdão dos juros que incidem sobre a dívida gaúcha, de
4% ao ano, gerará uma economia de cerca de R$ 12 bilhões para o estado em 36
meses, superior ao valor das parcelas que ficarão suspensas durante o período.
“A tragédia incalculável que se
abateu sobre o Rio Grande do Sul prova sem sombra de dúvida que é necessário
haver um dispositivo legal autorizando o Governo Federal a refinanciar as
dívidas dos Estados eventualmente atingidos por calamidades públicas”, afirmou
o relator, deputado Afonso Motta (PDT-RS), em seu parecer.
A redação não se limita ao
estado do Rio Grande do Sul. O projeto afirma que, em caso de calamidade
pública reconhecida pelo Congresso após iniciativa do governo federal, a União
pode adiar pagamentos devidos por um estado, com redução a 0% da taxa de juros,
pelo período de 36 meses.
Conforme o texto, os recursos
que deixarão de ser pagos pelo estado, no caso o Rio Grande do Sul, no período
de três anos deverão ser direcionados “integralmente” a ações de enfrentamento
e diminuição de danos provocados pela calamidade pública e suas consequências
econômicas e sociais.
Por Bahia Notícias