
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Em uma entrevista coletiva que
reuniu o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), os ministros da
Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha,
além do líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), governo
e Congresso anunciaram que chegaram a um acordo sobre a desoneração da folha de
pagamento dos 17 setores da economia. A ideia, anunciada no final da tarde
desta quinta-feira (9), é manter a desoneração da folha neste ano, com
reoneração gradual a partir de 2025, até a extinção do incentivo em 2028.
Com a costura do novo acordo,
segundo o ministro Fernando Haddad, o governo Lula deve pedir ao Supremo
Tribunal Federal (STF) para modular a decisão que barrou a desoneração da folha
de 17 setores da economia, para que o benefício não seja encerrado abruptamente.
O governo recorreu ao STF para barrar a desoneração aprovada pelo Congresso, e
o ministro Cristiano Zanin atendeu a ação e suspendeu a nova legislação com uma
decisão monocrática.
Pelo novo acordo, a desoneração
ficaria como está até o final de 2024, e a partir de 2025, as empresas voltarão
a contribuir com a Previdência, com imposto de 5% sobre o total da remuneração
dos funcionários. A partir daí, haverá um crescimento gradual da alíquota, que
vai atingir 20% em 2028.
“A partir do ano que vem começa
o que a gente chama de ‘phase out’, uma reoneração gradual até 2027, e em 2028
todo o sistema de folha de pagamento fica no mesmo patamar, sem nenhum tipo de
diferença de setor para setor”, explicou o ministro da Fazenda.
O presidente do Senado, Rodrigo
Pacheco, destacou na entrevista que à medida que o imposto volte a incidir
sobre a folha de pagamentos das empresas beneficiadas, ele deixará de ser
cobrado sobre o faturamento dessas empresas, na mesma proporção.
“[Em] 2024 se mantém como está a
desoneração da folha. A partir de 2025, reconhecendo inconstitucionalidade,
estabelecendo a reoneração, 5% primeiro ano, 10% segundo ano. A partir do
momento que vai onerar a folha, vai desonerar pelo faturamento na mesma
proporção. [...] Para o mês de maio, nada muda, se recolhe em cima do
faturamento”, disse Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
De acordo com a nova fórmula
acertada pelo Palácio do Planalto e o Congresso, a regra da desoneração
passaria a funcionar da seguinte forma: em 2024 as empresas seriam totalmente
desoneradas; 2025 pagariam 5% do imposto sobre o total dos salários; 2026, 10%
do imposto sobre o total dos salários; 2027 as empresas passam a pagar 15% do
imposto sobre o total dos salários; 2028 marcaria o fim da desoneração e o
retorno da alíquota de 20%.
O ministro Fernando Haddad
ressaltou na entrevista que com a manutenção do benefício da desoneração, o
governo enviará ao Congresso medida para compensar financeiramente o custo do
programa. Haddad disse ainda que após a regulamentação da reforma tributária
sobre o consumo, o governo vai elaborar proposta de reforma da renda e da folha
de salários, que poderá ser debatida em 2025.
“Esse tipo de imposto realmente
precisa ser reformado. Se formos perseverantes, muito antes de 2027 teremos uma
aprovação de alguma coisa que faça mais sentido que o atual modelo, que todo
mundo concorda que está ultrapassado”, concluiu o ministro, destacando ainda
que o benefício da desoneração da folha dos municípios, conforme aprovado pelo
Congresso, ainda está sendo debatido pela equipe econômica do governo.
Por Bahia
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