
Foto: Joel Rodrigues / Agência
Brasil
A garantia da cobertura do Samu
para 100% da população até o final de 2026 já havia sido incluída como meta no
novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que envolve um conjunto de
investimentos com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico do país e
a inclusão social. Coordenado pelo governo federal, ele engloba verbas da União
e também recursos provenientes de parcerias com o setor privado, estados,
municípios e organizações sociais.
No eixo saúde, foi previsto um
aporte de R$ 31,5 bilhões até 2026. Além do ampliar a cobertura do Samu, estão
previstas entregas de novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), maternidades,
policlínicas, centros de atenção psicossocial (Caps) e unidades odontológicas,
entre outros equipamentos públicos.
De acordo com Nísia, após 10
anos de congelamento, o custeio do Samu subiu 30% no ano passado. Ela também
afirma que a frota foi renovada em diversos municípios. "Com a primeira
etapa do PAC neste ano, serão 537 novas ambulâncias e 14 novas Centrais. Com
essa etapa, vamos passar de 90% de cobertura", estimou.
PESQUISAS
O Samu costuma ser bem avaliado pela população. Em São Paulo, o atendimento é
monitorado pelo Serviço de Avaliação de Qualidade (SAQ). Dados divulgados no
site da prefeitura relativo a outubro de 2022 revelam que, naquele mês, houve
mais de 400 ocorrências e 93% delas foram avaliadas com notas de 8 a 10.
Um artigo publicado em 2018 por
pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trouxe
resultado similar em um levantamento com 212 usuários de Natal acometidos por
eventos traumáticos: 94,2% manifestaram satisfação com o atendimento e com a
estrutura.
Especialistas costumam apontar o
serviço como um mérito do Sistema Único de Saúde (SUS), dando conta de um
trabalho que dificilmente conseguiria ser implementado pelo setor privado com a
mesma excelência, abrangência e agilidade.
Ainda assim, pesquisadores
apontam alguns desafios. Em 2022, a Universidade de São Paulo (USP) publicou um
estudo que apontou desigualdades na oferta do serviço em nível nacional.
Conduzido pelas pesquisadoras
Marisa Malvestio e Regina Márcia de Sousa, o estudo mapeou 1.820 municípios que
ainda não tinham nenhum suporte e 1.938 que eram atendidos de forma
regionalizada, ou seja, compartilhavam ambulâncias com diversas cidades vizinhas.
Elas constataram também que veículos mais equipados, as chamadas UTIs móveis,
estavam disponíveis em poucos locais do Brasil.
"É preciso assentir que os
desafios e o custo de salvar vidas em populações esparsas ou em território
rural é maior e requer estratégias e políticas específicas e integradas",
escreveram elas.
Um outro estudo conduzido na
UFRN pelo pesquisador Mateus Estevam revelou, durante a pandemia de covid-19,
um nível crítico em índices associados ao risco de adoecimento dos
profissionais envolvidos no atendimento.
Foi realizado um levantamento
com 169 trabalhadores, distribuídos em 16 estados brasileiros. Entre fatores
que contribuiriam para a precarização do trabalho e consequentemente
aumentariam a probabilidade de quadros de adoecimento, foram citados a falta de
materiais e o número insuficiente de ambulâncias.
Por Bahia Notícias