
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O governo Lula (PT) quer
encontrar até o dia 20 de maio, quando começará em BrasÃlia a Marcha dos
Prefeitos, um meio-termo para o impasse sobre a desoneração da folha de
pagamentos de empresas e municÃpios.
Defensores de uma solução
polÃtica para o imbróglio, aliados do presidente, no entanto, vão enfrentar
dificuldades no Congresso Nacional. A tentativa de negociar com os prefeitos e
também com o Congresso ocorrerá em paralelo a um novo foco de tensão entre os
Poderes.
A AGU (Advocacia-Geral da União)
entrou na quarta-feira (24) com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para
suspender trechos da lei aprovada pelo Congresso que prorrogava até 2027 a
desoneração da folha de pagamentos das prefeituras e de 17 setores da economia.
O pedido foi acatado de forma monocrática pelo ministro Cristiano Zanin, com
efeito imediato.
A atitude desagradou aos
prefeitos, que contam com o corte na alÃquota para ter mais dinheiro em caixa,
sobretudo em ano de eleições municipais. Também irritou os parlamentares, que
viram na atitude uma interferência numa decisão do Legislativo.
Lula, porém, quer ter uma
resposta para dar aos chefes dos Executivos municipais que viajarão a BrasÃlia
para o evento anual da CNM (Confederação Nacional dos MunicÃpios). Até lá, vão
tentar construir uma proposta voltada às prefeituras em consonância entre a
equipe econômica e a ala polÃtica do governo.
As análises sobre uma
flexibilização no tema têm como foco atual a desoneração das prefeituras, mas
podem incluir também a parte da discussão voltada a empresas.
O secretário especial de
Assuntos Federativos do governo, André Ceciliano, tem se reunido com
representantes de prefeitos em busca de uma saÃda consensual. Segundo ele,
estão sendo discutidas propostas. Uma delas fixa um escalonamento a partir de
uma alÃquota de contribuição previdenciária de 8%.
Mas o governo trabalha com uma
progressão de Ãndices que vão de 10% a 20%. "Quem tem menor receita
corrente lÃquida paga menos", diz Ceciliano.
Uma ideia na mesa é incluir a
solução que for negociada em um projeto de lei de autoria do deputado José
Guimarães (PT), lÃder do governo na Câmara.
Um cardeal do centrão diz que é
necessário dar uma resposta à insatisfação polÃtica com o tema. Segundo ele, há
uma discussão entre lÃderes para acelerar a tramitação de algum projeto que
trate da desoneração -um que já tenha sido apresentado ou até mesmo um novo
texto.
Ele diz que poderá ser votado um
requerimento de urgência (que acelera o trâmite de matérias na Casa) na segunda
semana de maio para, em seguida, aprovar a matéria.
Já deputados governistas dizem
que o Executivo tem que usar os instrumentos que pode para tentar conter as
despesas e que cabe também ao Congresso ter responsabilidade com as contas
públicas do paÃs.
Um lÃder da base aliada do
petista diz que espera que as queixas diminuam até a Câmara retomar os
trabalhos --não haverá sessões nesta semana devido a acordo firmado entre o
presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e lÃderes, em razão do Dia do
Trabalhador.
Até sexta-feira (26), os
ministros LuÃs Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Edson Fachin, do
Supremo, votaram para confirmar a decisão de Zanin de suspender trechos da lei
que prorrogou a desoneração da folha de empresas e prefeituras. O julgamento
foi interrompido após pedido de vista do ministro Luiz Fux.
Os magistrados, porém, podem
continuar votando até 6 de maio, quando acaba o julgamento no plenário virtual,
o que pode formar uma maioria pró-tese do governo.
O governo não pretende recuar da
ação no STF, que provocou novos atritos com o Congresso, mas quer reunir os
parlamentares em busca de uma solução para o problema.
Lula queria ter conversado com o
presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nesta semana. O encontro, no
entanto, acabou adiado. O presidente tentará se reunir com o senador na próxima
semana e aproveitará para discutir a questão da desoneração.
Pacheco verbalizou na sexta o
incômodo dos parlamentares com a posição do governo. Ele criticou o governo e
chamou a ação da AGU (Advocacia-Geral da União) -que representa a União-- de
"catastrófica".
O senador disse que o Congresso
foi surpreendido com a decisão do governo federal de acionar o Judiciário e que
o erro foi não só técnico mas também polÃtico.
Segundo admitem aliados de Lula,
Pacheco não foi comunicado por Haddad de que a ação seria protocolada na
quarta.
Embora Haddad já houvesse
anunciado a intenção de entrar na Justiça, o presidente do Senado teria ficado
contrariado por não ter sido avisado. A ação foi protocolada em paralelo Ã
articulação da entrega de projetos para regulamentar a reforma tributária.
Parlamentares criticaram
duramente a decisão do governo, afirmando que foi um desrespeito com o que foi
deliberado pelo Congresso.
A desoneração da folha foi
criada em 2011, na gestão Dilma Rousseff (PT), e prorrogada sucessivas vezes. A
medida permite o pagamento de alÃquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em
vez de 20% sobre a folha de salários para a Previdência.
No ano passado, o benefÃcio
havia sido prorrogado até o fim de 2027 e estendido às prefeituras. Mas o texto
aprovado pelo Congresso foi vetado na totalidade por Lula. Em dezembro do mesmo
ano, o Legislativo derrubou o veto.
A desoneração vale para 17
setores da economia. Entre eles está o de comunicação, no qual se insere o
Grupo Folha, que edita a Folha. Também são contemplados os segmentos de
calçados, call center, confecção e vestuário, construção civil, entre outros.
Por Bahia NotÃcias