
Foto: © Marcello Casal Jr
As famílias mais pobres ou
inscritas em programas sociais poderão receber de volta 50% da Contribuição
sobre Bens e Serviços (CBS, tributo federal) paga nas contas de luz, água,
esgoto e gás encanado. A proposta consta do projeto complementar de regulamentação
da reforma tributária, enviado na quarta-feira (24) à noite ao Congresso.
Em relação ao Imposto sobre Bens
e Serviços (IBS), cobrado pelos estados e pelos municípios, a devolução ficará
em 20% sobre as contas desses serviços. O ressarcimento também beneficiará
apenas famílias de baixa renda. No caso do botijão de gás, a devolução será de
100% da CBS e 20% do IBS.
Chamado de cashback
(ressarcimento de tributos em dinheiro), o mecanismo foi aprovado na emenda
constitucional da reforma tributária para tornar mais progressiva a tributação
brasileira, com os mais pobres pagando proporcionalmente menos impostos em relação
aos mais ricos. O cashback permite que benefícios tributários se concentrem na
população de baixa renda, sem que também sejam usufruídos pelos mais ricos.
Faixa de renda
A regulamentação do cashback
estabeleceu que a devolução de tributos beneficiará famílias com renda per
capita de até meio salário mínimo e as inscritas no Cadastro Único para
Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Quem estiver em uma dessas duas
categorias será automaticamente incluído no programa.
O projeto de lei complementar
também prevê a possibilidade de que o cashback seja estendido a outros
produtos, com devolução de pelo menos 20% da CBS e 20% do IBS. O projeto, no
entanto, não detalhou sobre quais itens o mecanismo poderia incidir. Os percentuais
de ressarcimento poderão ser elevados, dependendo de lei ordinária.
No caso do gás encanado, água e
esgoto, a devolução dos tributos será automática, por meio de descontos nas
contas. Para os demais produtos, caberá à Receita Federal coordenar o
ressarcimento, que deverão ser aproveitados em até dois anos após a compra.
Programas locais
Pelo texto entregue ao
Congresso, o governo federal, os estados e os municípios poderão criar
programas próprios de cashback. Alguns estados, como o Rio Grande do Sul, têm
mecanismos de devolução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) para compras de alimentos à população de baixa renda.
O projeto, no entanto, veda que
o mecanismo beneficie produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente sobre os
quais incidirão o Imposto Seletivo. O governo propôs que a sobretaxação afete
produtos como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, veículos e
embarcações poluentes, petróleo, gás natural e minério de ferro.
Saneamento
Durante a tramitação da reforma
tributária, no ano passado, o Senado incluiu o setor de saneamento no regime
especial, que permitiria às empresas do segmento pagarem menos impostos. No
entanto, na segunda votação na Câmara dos Deputados, o benefício caiu, para
evitar o fatiamento da proposta e a necessidade de uma segunda votação no
Senado.
Nos últimos meses, as empresas
de saneamento pediram a inclusão das contas de água e esgoto no regime de
cashback. As companhias argumentam que a devolução dos tributos ampliará o
acesso à água encanada e esgoto pela população de menor renda.
Por Correio24horas