
Foto: Washington Alves / Agência Petrobras
A Petrobras anunciou nesta
quarta-feira (22) que está retirando oficialmente de sua carteira de
desinvestimentos cinco refinarias e sua fatia majoritária na TBG
(Transportadora do Gasoduto Bolívia-Brasil).
A decisão de não vender os
ativos já havia sido tomada pela gestão petista, mas foi oficializada após
acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que encerra
termo de compromisso para aumentar a competição nos segmentos de gás e refino.
Em troca, a estatal se
comprometeu com medidas para aumentar a transparência de suas operações nesses
segmentos, que teoricamente garantiriam ao Cade um maior poder de avaliar
eventuais casos de abuso de poder econômico.
O acordo com o órgão de defesa
da concorrência foi anunciado na segunda (20). Sob a vigência do termo de
compromisso, a Petrobras vendeu as refinarias de Mataripe, na Bahia, e do
Amazonas, em Manaus, além das duas principais redes de gasodutos brasileiras.
As vendas dos ativos durante o
governo Jair Bolsonaro (PL) foram alvo de oposição de petistas na época. Ainda
em 2020, o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, então no Senado, disse
à Folha que o governo vinha usando estratégias para driblar o Congresso e
privatizar operações prioritárias.
Prates entrou com a missão de
suspender os processos de venda e iniciou renegociações para retorno da estatal
à refinaria baiana, hoje controlada pelo fundo árabe Mubadala. Indicada para
substituí-lo, Magda Chambriard recebeu a missão de negociar também a refinaria
de Manaus.
Além de renegociar as unidades
vendidas, a gestão petista decidiu investir em seu parque de refino, retomando
obras na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Polo GasLub, antigo
Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).
A Abreu e Lima estava na
carteira de desinvestimentos da Petrobras e será retirada, junto com as
refinarias do Paraná, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e com a fábrica de
lubrificantes do Ceará.
A empresa se comprometeu com o
Cade a adotar novas obrigações para proporcionar mecanismos de acompanhamento
de dados comerciais da Petrobras nos mercados de derivados e de petróleo
"que permitam a verificação do caráter não discriminatório dos preços
praticados pela Petrobras".
O acordo prevê ainda a
divulgação de diretrizes gerais comerciais não discriminatórias para entregas
de petróleo por via marítima a qualquer refinaria independente e a oferta de
contratos para refinarias independentes em condições de mercado.
Na área de gás, o acordo para
manutenção do controle sobre a TBG também prevê condições concorrenciais, como
obrigação de indicação de conselheiros independentes escolhidos por lista
tríplice e independência material da diretoria comercial da TBG em relação à
Petrobras.
A revisão dos termos de
compromisso do Cade recebeu críticas no mercado. Para Marcus D'Elia, da Leggio
Consultoria, "é um retrocesso na busca pelo livre mercado no refino
nacional".
"Parece contraditório o
posicionamento do Cade, uma vez que existe uma avaliação rigorosa sobre o
impacto na competição de projetos de distribuidoras de combustíveis, quando há
investimento em novos ativos", afirma.
"No entanto, no mercado de
refino onde a Petrobras possui cerca de 80% da produção e abertamente comunica
que busca negociar a participação em refinarias de concorrentes, não parece
haver preocupação com a competição."
Por Bahia
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