
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira (22) o texto-base do
projeto que pune quem promover ou realizar ocupações de terras rurais e prédios
públicos no Brasil. Aprovado por 336 votos contra 120, o texto recebeu apoio da
bancada ruralista e tem como um dos objetivos atingir as ações do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Ao apresentar o projeto no ano passado, o deputado Marcos Pollon (PL-MS)
justificou que ele era necessário devido às ocupações promovidas pelo MST. “O
Brasil acompanhou aflito a uma onda de ações criminosas, estimulada pelo MST,
conhecida como “Carnaval Vermelho”, que tinha por objetivo a ocupação ilegal de
propriedades privadas. Ações terroristas se estenderam por diversos estados do
Brasil”, disse o parlamentar.
Pelo texto, quem participar de ocupação ou invasão de propriedades
rurais privadas, públicas ou de prédios públicos, fica proibido de ser
beneficiário de reforma agrária, de receber qualquer benefício do governo
federal, como o Bolsa Família ou participar do Minha Casa Minha Vida, de
participar de concurso público, entre outras restrições.
Além do governo, encaminharam o voto contrário ao projeto os partidos
PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL e Rede. As demais legendas apoiaram a medida. A Câmara
ainda precisa votar alguns destaques que pretendem alterar o texto. Em seguida,
o projeto segue para o Senado.
Para a deputada federal Erika Kokay (PT/DF), o texto é inconstitucional
por criminalizar a luta pela reforma agrária.
“Ele tem um único objetivo: criminalizar os movimentos sociais. O maior
movimento social da América Latina, o MST, eles querem criminalizar. E eu
entendo por que eles têm raiva do MST: porque o MST trabalha com a
democratização da terra, trabalha para fazer valer o fato de que a terra tem
que ter uma responsabilidade social”, justificou.
Já o deputado Tadeu Veneri (PT-PR) questionou se o projeto iria punir
grileiros de terra pública que são grandes fazendeiros. “Os grileiros que
entraram e entram em reservas indígenas, os grileiros que, no Amazonas, no
Pará, em Rondônia, em Roraima e no Paraná, tomaram terras do Estado e hoje se
dizem fazendeiros também nós queremos saber se serão penalizados”, perguntou.
O relator da matéria foi o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária
(FPA), o deputado Pedro Lupion (PP/PR), que rebateu as críticas ao projeto.
“[O projeto] é justamente para que a ordem seja mantida e que as leis
sejam cumpridas. O que motiva invasões de propriedade neste País é a certeza da
impunidade, é a certeza de que a legislação é falha, é a certeza de que nada
vai acontecer”, disse.
MST
Procurado, o MST informou que ainda irá se manifestar sobre o tema. O movimento
justifica as ações de ocupação de terra por meio do artigo 184 da Constituição
Federal, que diz que “compete à União desapropriar por interesse social, para
fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função
social”.
Segundo o grupo, as ocupações tem como objetivo pressionar o Estado para
que ele cumpra com a função social da terra e promova a reforma agrária.
Por Bahia Notícias