
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Ato de apoio ao ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) acontece em Copacabana, no Rio de Janeiro com discursos em
tom religioso, críticas a Alexandre de Moraes e exaltação a Elon Musk, o dono
do X que protagoniza há duas semanas um embate com o ministro do STF (Supremo
Tribunal Federal).
Bolsonaro chegou ao evento ao
lado do governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e do deputado federal
e pré-candidato à prefeitura do Rio, Alexandre Ramagem (PL).
A mobilização ocupa ao menos
dois quarteirões lotados da avenida Atlântica, em Copacabana. Há apoiadores
dispersados por pelo menos mais dois quarteirões. Em fevereiro, o ato em São
Paulo ocupou quatro quarteirões da avenida Paulista.
Da mesma forma que fez antes da
manifestação em São Paulo, no final de fevereiro, Bolsonaro pediu ao convocar
seus correligionários que não levem bandeiras ou faixas. O objetivo é não
piorar a situação do ex-presidente nos inquéritos em que é investigado. O
pedido tem sido seguido até o momento.
"É difícil fazer encontro
às 10h, talvez fosse melhor marcar à tarde. Com uma praia dessa é difícil. Mas
as pessoas vão chegar", disse o presidente do PL Valdemar Costa Neto, que
lamentou não poder se comunicar com Bolsonaro porque é alvo de investigação
sobre uma suposta trama golpista.
Costa Neto e o general Braga
Netto, também impedido de se comunicar, falaram rapidamente no microfone antes
da chegada de Bolsonaro.
Em discurso, Silas Malafaia
chamou Moraes de "ditador da toga" e criticou o bloqueio de contas de
bolsonaristas no âmbito dos inquéritos que investigam atos antidemocráticos.
"Alexandre de Moraes é uma ameaça à democracia", repetiu.
O pastor atacou também a
imprensa e disse que a consulta de militares para instaurar uma GLO (Garantia
de Lei e Ordem) não seria um ato golpista.
A ex-primeira dama Michelle
Bolsonaro fez discurso repleto de referências religiosas. Disse que estavam ali
não por um homem ou uma mulher, mas por valores e "pelo reino de Deus
estabelecido na Terra".
Conclamou as mulheres a fazerem
uma "política feminina e não feminista" e iniciou uma oração.
Ela afirmou ainda que o país já
vive o versículo Lucas 2:12, que diz "Não há nada escondido que não venha
a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido".
O versículo deu nome à operação
da Polícia Federal que investiga um esquema de desvio de joias recebidas como
presentes de autoridades estrangeiras pela Presidência da República no mandato
de Bolsonaro.
Os deputados Gustavo Gayer
(PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG) fizeram discurso exaltando Musk, que vem
chamando Moraes de ditador devido a decisões de bloqueio de perfil no X
(ex-Twitter).
No discurso, Ferreira defendeu
que Musk é defensor da liberdade de expressão e afirmou que a direita domina a
internet no Brasil. Gayer fez um apelo em inglês.
O tema já havia sido mencionado
por Bolsonaro no vídeo de convocação para o ato.
Ao escolher fazer a demonstração
em Copacabana, o ex-presidente volta ao palco do evento que deu origem a uma
das decisões que o tornaram inelegível —o ato do 7 de Setembro de 2022.
Na ocasião, houve uma solenidade
oficial bancada com recursos públicos com oito horas de programação. Ao lado do
palanque do governo foi instalado um carro de som bancado pelo pastor Silas
Malafaia, onde os discursos de campanha foram proferidos. Bolsonaro foi para
esse local quando aviões da Esquadrilha da Fumaça ainda faziam exibições
previstas no ato oficial.
No julgamento do caso, Moraes
classificou o comício como de caráter eleitoral e eleitoreiro e criticou
fortemente o fato de o Exército ter cancelado o tradicional desfile militar no
centro do Rio para engrossar o ato bolsonarista em Copacabana.
Malafaia, responsável pelo
discurso mais duro no ato pró-Bolsonaro na avenida Paulista, também deve falar
na manifestação no Rio.
Ele afirmou à coluna Mônica
Bergamo que subirá ainda mais o tom neste domingo (21). "Em São Paulo meu
discurso foi água com açúcar."
O governador Cláudio Castro (PL)
também confirmou presença no evento.
O ato deve ser usado para
ampliar a associação do deputado federal Alexandre Ramagem (PL), escolhido como
pré-candidato à prefeitura da cidade, com o ex-presidente.
Os organizadores defendem que o
ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) não discurse para
evitar acusações de propaganda eleitoral antecipada, mas ele deve ter lugar de
destaque no carro de som.
O comício em Copacabana faz
parte da série de atos marcados por Bolsonaro para mobilizar a militância em
seu entorno para demonstrar apoio popular em meio às investigações de que é
alvo no STF. Uma delas mira trama para um golpe de Estado articulada por bolsonaristas
após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições de 2022.
O vendedor Claudinei da Silva
Costa, 62, afirma que vende camisas e bandeiras do Bolsonaro desde 2018.
Natural de Porto Alegre, ele afirma que viaja pelo país em busca de multidões
nos eventos bolsonaristas. Neste domingo(21), em frente ao Copacabana Palace,
já vendeu 60 bandeiras ao preço de R$90. "Alugamos um apartamento em Copa.
Somos cinco vendedores. Já vendemos o mesmo que no ato de São Paulo",
disse.