
Foto: Pedro França/ Agência Senado
A CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (17) a proposta que turbina os
salários de juízes, membros do Ministério Público, delegados da Polícia
Federal, defensores e advogados públicos, a chamada PEC do Quinquênio.
A proposta foi aprovada por 18
votos a 7 e depende, agora, de avaliação pelo plenário do Senado. Segundo o
relator e o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o Senado deve
promover uma sessão de debates antes da votação.
A proposta altera a Constituição
para garantir aumento de 5% do salário para as carreiras contempladas a cada
cinco anos, até o limite de 35%. A atuação jurídica anterior dos servidores
públicos —na advocacia, por exemplo— poderá ser usada na contagem de tempo.
A PEC original tratava apenas de
juízes e membros do Ministério Público, mas o relator, senador Eduardo Gomes
(PL-TO), incluiu defensores públicos; membros da advocacia da União, dos
estados e do Distrito Federal; e delegados da Polícia Federal.
Segundo o líder do governo no
Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o Ministério da Fazenda estima impacto de R$ 42
bilhões por ano nas contas públicas, a depender do número de carreiras
incluídas.
Apresentada em 2013, a PEC do
Quinquênio voltou a ser alvo de articulação em 2022 durante a presidência de
Luiz Fux no STF (Supremo Tribunal Federal) e recebeu apoio do presidente do
Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que é advogado.
Pacheco tentou aprovar o
penduricalho no fim do governo Jair Bolsonaro (PL), mas adiou a votação a
pedido da equipe de Lula (PT), então recém-eleito. A PEC acabou arquivada ao
final da legislatura, mas foi reapresentada pelo senador em março do ano passado.
A volta da PEC à agenda do
Senado desagradou ao governo. Mesmo que a aprovação seja acompanhada do avanço
do projeto que combate os supersalários, o gasto adicional com o penduricalho
mais que anulará qualquer economia obtida.
Wagner expôs uma série de
argumentos contrários à PEC na sessão desta quarta e disse que o quinquênio
pode provocar um "tsunami" nas contas da União e dos estados.
O senador afirmou que a política
é ruim do ponto de vista de gestão por conceder aumento automaticamente, sem
considerar o desempenho do servidor público, e destacou que o alegado orçamento
próprio do Judiciário é apenas um orçamento previsto —com recursos públicos.
"É um tsunami do ponto de
vista das chamadas carreiras jurídicas. Isso vai ter impacto nos 26 estados e
no Distrito Federal. Não me digam que isso está restrito, não ficará restrito.
A pressão sobre os governadores será imensa, até porque há similitude entre o
salário de desembargadores e ministros do Supremo."
Um estudo do CLP (Centro de
Liderança Pública) afirma que o pagamento do quinquênio apenas para juízes e
membros do Ministério Público terá impacto de R$ 1,8 bilhão por ano nas contas
públicas. Cerca de 32 mil pessoas seriam beneficiadas.
A Afipea (Associação dos
Funcionários do Ipea) estima que, com a inclusão de advogados, defensores
públicos e delegados da PF, o impacto chegará a R$ 9,9 bilhões anuais no caixa
da União —sem considerar o gasto nos estados.
Questionado pela Folha de
S.Paulo na semana passada, Pacheco disse que a PEC do Quinquênio
"constitui valorização, por tempo de magistratura, em razão das
especificidades da carreira", e reforçou que a proposta está "está
associada" ao projeto de lei que tenta barrar os supersalários.
O projeto que limita os
supersalários está parado na CCJ do Senado desde 2021, sem perspectiva de
votação. Gomes, que também é relator do texto, disse à reportagem que é
"politicamente difícil" avançar com os dois temas ao mesmo tempo.
"É isso que a gente está
tentando [votar os dois]. Agora, não vai acontecer [como a dupla] Chitãozinho
& Xororó [votação em conjunto]. A tramitação é diferente, mas o objetivo é
que uma economia institucional seja feita", afirmou o senador.
Por Bahia
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